CRM do Piauí denuncia atuação de três falsos médicos à Polícia Federal

Fraude foi descoberta durante fiscalização de rotina na cidade de Pedro II.
Para o Conselho, hospital falhou em não conferir documentos de profissionais.


Três falsos médicos foram flagrados atuando em um hospital filantrópico na cidade de Pedro II, Norte do Piauí. A fraude foi descoberta durante fiscalização de rotina do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Piauí, que denunciou esta semana o caso à Polícia Federal.
No dia da visita de representantes do Conselho, um dos falsos médicos estava de plantão e fugiu do hospital ao saber da fiscalização. As outras duas pessoas descobertas também atendiam no mesmo hospital nos finais de semana. Todos faziam parte de um grupo e apenas um recebia os pagamentos. 
De acordo com a denúncia enviada pelo CRM à Polícia Federal, os falsos médicos usavam carimbos com o número de registros de outros profissionais. Eles não tinham contrato fixo com o hospital, que também atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e recebiam R$ 1.700 por cada plantão de 24h. A suspeita é que eles sejam estudantes de medicina de uma faculdade particular.
Para o Conselho Regional de Medicina, o hospital falhou em não conferir a documentação antes de contratar os falsos profissionais, o que colocou a vida de muitos pacientes em risco.  
"Isto é muito grave, porque a população fica sujeita a um atendimento que não é confiável, inclusive com risco de vida. O hospital não averiguou adequadamente as documentações destas pessoas. O conselho sempre orienta que procure o registro no Portal Médico do Conselho Federal de Medicina", declarou o presidente do CRM-PI, Emanuel Fontes.
A dona de casa Maria Márcia de Oliveira consultou a filha de três meses com um dos falsos médicos e reclamou do atendimento que foi pago. "Eu achei estranho porque ele não quis examinar minha filha, que estava muito gripada e com problema urinário. Não passou exames adequados e receitou um remédio que uma criança na idade dela não pode tomar. Minha filha correu um grande risco de vida", declarou.
O delegado de Pedro Segundo, Genival Vilela, disse que as investigações ainda estão no início e por isso não pode dar detalhes sobre o caso. Ele afirmou que o diretor do hospital ainda deve ser ouvido. Já a Polícia Federal não informou como anda as investigações.

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